O que Jigoro Kano faria diante da atual crise?

Pes­so­as desem­pre­ga­das, negó­ci­os que­bran­do, pla­cas de “alu­ga-se” por todo lugar e pre­ços ele­va­dos. A cri­se é um fato, mas o que dife­ren­cia as pes­so­as extra­or­di­ná­ri­as das comuns é a manei­ra como rea­gem a ela. Des­cu­bra como Jigo­ro Kano rea­gi­ria à cri­se!

Jigo­ro Kano cer­ta­men­te seria um foras­tei­ro da cri­se. Ele deci­di­ria não fazer par­te dela, assim como você deve ser foras­tei­ro da cri­se tam­bém. Lem­bre-se des­sa fra­se. O fato do mun­do estar em cri­se não sig­ni­fi­ca que você pre­ci­se estar em cri­se.

Mui­tas pes­so­as estão afo­ga­das pela onda da cri­se, per­ma­ne­cen­do em um esta­do de asso­la­ção, desa­cre­di­ta­das e ain­da influ­en­ci­a­das por outras pes­so­as que as fazem afun­dar ain­da mais. Mas você não pre­ci­sa fazer par­te dis­so.

Isso não sig­ni­fi­ca que você fica­rá alheio ou em uma rea­li­da­de para­le­la à cri­se; mas sim­ples­men­te que os seus pen­sa­men­tos, sen­ti­men­tos e com­por­ta­men­tos não serão aba­la­dos por ela.

Afi­nal, se não exis­ti­rem pes­so­as que se man­te­nham fir­mes dian­te da tri­bu­la­ção, quem irá resol­vê-la? Como diria Jigo­ro Kano, o fun­da­dor do judô Kodo­kan, deve­mos nos man­ter fir­mes e reso­lu­tos. E como Kano rea­gi­ria à cri­se? E mais: o que pode­mos apren­der com ele?

 

Jigoro Kano já estaria preparado.

Um dos prin­cí­pi­os do judô é o riso kenpyoshi, que sig­ni­fi­ca “quan­do a gea­da vier, gelo se for­ma­rá1 — o pri­mei­ro sinal da gea­da sig­ni­fi­ca a imi­nên­cia do gelo. Com esse prin­cí­pio, Jigo­ro Kano nos incen­ti­va a apren­der a reco­nhe­cer os peque­nos sinais antes que eles se tor­nem gran­des even­tos.

Kano era um homem bas­tan­te pre­ve­ni­do. Para você ter uma ideia, a bio­gra­fia dele reve­la que ele esta­va sem­pre muni­do de um guar­da-chu­va, mes­mo que o sol esti­ves­se a pino e a pos­si­bi­li­da­de de chu­va fos­se míni­ma2.

Além dis­so, veja o que Nabeshi­ma Naoshi­ge, que se tor­nou daimyo3 duran­te o sécu­lo XVI, dis­se aos seus subor­di­na­dos:

Um samu­rai nun­ca deve bai­xar a guar­da, mes­mo em tem­pos de ordem. Você pode ser con­fron­ta­do por uma cri­se quan­do menos espe­ra — e cai­rá se não esti­ver aler­ta.4

Estar aten­to, aler­ta e vigi­lan­te aos sinais — espe­ci­al­men­te os econô­mi­cos e polí­ti­cos — nos per­mi­te reco­nhe­cer a imi­nên­cia de uma cri­se. Se reco­nhe­ce­mos que cer­tos even­tos podem cul­mi­nar numa cri­se, pode­mos nos ante­ci­par e nos pre­pa­rar para ela, impe­din­do que seja­mos sur­pre­en­di­dos e aba­la­dos.

 

Jigoro Kano teria uma estratégia.

Kano apli­ca­ria o prin­cí­pio seiryo­ku zen’yo — “o uso mais efi­ci­en­te da ener­gia” — e dedi­ca­ria um tem­po para pla­ne­jar um pas­so-a-pas­so bem defi­ni­do para enfren­tar a cri­se, a cur­to, médio e lon­go pra­zo; ao invés de se dei­xar levar por ela.

 

Jigoro Kano estaria empreendendo.

Uma cri­se gera diver­sas deman­das para a soci­e­da­de — e um óti­mo empre­en­de­dor sabe que deman­das sig­ni­fi­cam opor­tu­ni­da­des. Veja o que Jigo­ro Kano dis­se:

Uma cri­se sem pre­ce­den­tes gera opor­tu­ni­da­des ili­mi­ta­das.5

Enquan­to a mai­o­ria das pes­so­as esta­ria cho­ran­do pela cri­se, Kano esta­ria ven­den­do len­ços, apro­vei­tan­do a opor­tu­ni­da­de, sem­pre se rein­ven­tan­do e posi­ci­o­nan­do-se na cris­ta da onda. Ele ain­da apli­ca­ria o prin­cí­pio jita kyo­ei — “pros­pe­ri­da­de mútua” — e sua solu­ção seria algo que bene­fi­ci­as­se não somen­te ele, mas tam­bém toda a soci­e­da­de. Por exem­plo: ima­gi­ne que em ple­na cri­se hídri­ca você fos­se o inven­tor da solu­ção capaz de trans­for­mar água marí­ti­ma ou impró­pria para con­su­mo em água potá­vel. Você não somen­te solu­ci­o­na­ria um desa­fio glo­bal, mas tam­bém mui­to pro­va­vel­men­te pros­pe­ra­ria finan­cei­ra­men­te!

 

Conclusão

É você quem deci­de se a cri­se repre­sen­ta uma cala­mi­da­de ou uma opor­tu­ni­da­de. A manei­ra como você lida com a cri­se defi­ni­rá se você esta­rá entre os mui­tos que se afo­gam ou entre os pou­cos que sur­fam.

 

Res­pei­te os cri­a­do­res de con­teú­do. Plá­gio é cri­me!

Notas & Bibliografia:

  1. The Way of Judo: A Por­trait of Jigo­ro Kano & His Stu­dents (JOHN STEVENS), Shambha­la, pg. 201 na edi­ção para Kin­dle
  2. The Way of Judo: A Por­trait of Jigo­ro Kano & His Stu­dents (JOHN STEVENS), Shambha­la, pg. 70 na edi­ção para Kin­dle
  3. No Japão, um tipo de senhor feu­dal.
  4. Haga­ku­re: The Secret Wis­dom of the Samu­rai (YAMAMOTO TSUNETOMO), Tut­tle Publishing, posi­ções 983–990 na edi­ção para Goo­gle Play Livros
  5. The Way of Judo: A Por­trait of Jigo­ro Kano & His Stu­dents (JOHN STEVENS), Shambha­la, pg. 191 na edi­ção para Kin­dle